Tenente da reserva da Brigada Militar apontou arma contra vizinhas que tentavam recuperar bandeira durante debate entre Lula e Flávio Bolsonaro. Mulheres denunciam ameaças e questionam atuação policial.
Duas mulheres foram ameaçadas com uma arma de fogo por um vizinho, identificado como tenente da reserva da Brigada Militar, após ele retirar uma bandeira do Partido dos Trabalhadores (PT) da janela de um apartamento no Centro Histórico de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O episódio aconteceu na noite de sexta-feira (23), durante o último debate presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Bandeira retirada provocou discussão
Segundo as vítimas, elas acompanhavam o debate e agitavam uma bandeira do PT quando o vizinho, que mora no andar inferior, puxou o tecido para dentro de seu apartamento. Ao perceberem o ocorrido, as mulheres desceram para exigir a devolução.
Um vídeo mostra o momento em que o homem abre a porta segurando uma arma e a aponta na direção das moradoras. Assustadas, elas fogem pelo corredor. As imagens circularam nas redes sociais e provocaram denúncias de intimidação política.
Policial não foi levado à delegacia
A Brigada Militar foi acionada, mas o homem não foi conduzido à delegacia. Segundo relatos das vítimas ao UOL, os agentes ouviram o tenente dentro do próprio apartamento e argumentaram que a arma estava regular e que não havia situação de flagrante.
Advogados que acompanhavam as mulheres questionaram o atendimento policial e solicitaram que o suspeito fosse levado para prestar esclarecimentos. A regularidade de uma arma, entretanto, não autoriza seu uso para ameaçar outras pessoas.
Mulheres deixaram apartamento por medo
Após a ocorrência, as vítimas registraram boletim de ocorrência e passaram a noite na casa de familiares. Uma delas relatou que considerava mudar de residência por receio de novas ameaças.
A Brigada Militar informou ter recebido também reclamações do morador sobre barulho, ameaças e um objeto de madeira que teria atingido sua janela. Essas alegações integram a apuração e não anulam a necessidade de investigar a ameaça armada.
Polícia Civil investiga episódio
O caso foi registrado por meio de termo circunstanciado e encaminhado à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher de Porto Alegre, responsável pela investigação.
O episódio ocorreu às vésperas do segundo turno presidencial e envolve um conflito motivado pela exibição de uma bandeira partidária. Até o momento, não foi confirmada filiação política do suspeito nem participação de qualquer campanha eleitoral na ameaça.
A Constituição garante o direito à manifestação política pacífica. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da ameaça e a eventual responsabilidade criminal do homem.
