Candidato do PL se envolveu em controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida, defendeu pastor investigado por homotransfobia e participou de cultos denunciados por possível propaganda eleitoral irregular.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protagonizou episódios de tensão envolvendo religião e política. Entre eles estão declarações sobre o caráter cristão do Brasil, críticas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e alianças com líderes evangélicos investigados ou denunciados por diferentes condutas.
Nossa Senhora Aparecida e a polêmica com católicos
Em agosto de 2026, Flávio afirmou que um de seus primeiros atos como presidente seria decretar que o Brasil pertence a Jesus Cristo. A declaração provocou debates sobre a liberdade religiosa e o caráter laico do Estado brasileiro.
O senador frequenta a Comunidade das Nações, fundada pelo bispo João Batista Carvalho, autor de um livro que criticava a devoção a Maria e defendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Entretanto, não há prova de que Flávio tenha defendido essa retirada. O projeto sobre o tema foi apresentado em 2007 pelo ex-deputado Victório Galli, posteriormente ligado ao governo Jair Bolsonaro (PL), e acabou arquivado.
Flávio criticou a CNBB e depois recuou
Em setembro, durante a repercussão da polêmica, Flávio acusou a CNBB de colaborar com a divulgação de informações falsas contra sua candidatura. Posteriormente, recuou da acusação.
No Dia de Nossa Senhora Aparecida, 12 de outubro, participou de uma missa na Catedral de Brasília. A aproximação ocorreu após críticas de setores católicos, mas o candidato afirmou respeitar todas as religiões.
Silas Malafaia: apoio e denúncias eleitorais
O pastor Silas Malafaia declarou apoio à candidatura de Flávio e o recebeu em culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, em maio de 2026.
A Associação Movimento Brasil Laico denunciou o evento ao Ministério Público Eleitoral por suspeita de propaganda antecipada e uso político de estrutura religiosa. Flávio e Malafaia foram citados na representação.
Malafaia também foi investigado pelo STF em 2025 por suspeitas de coação e obstrução de investigação. Em abril de 2026, tornou-se réu por injúria contra integrantes do Alto Comando do Exército. Nenhum desses fatos representa condenação definitiva.
André Valadão: defesa após investigação por homotransfobia
Em julho de 2023, Flávio defendeu publicamente o pastor André Valadão, investigado pelo Ministério Público Federal após declarações contra pessoas LGBTQIA+ durante uma pregação.
O senador classificou a investigação como perseguição religiosa. Valadão negou ter incentivado violência e afirmou que suas palavras haviam sido interpretadas incorretamente.
Culto também motivou denúncia em São Paulo
Em abril de 2026, Flávio recebeu oração pública do pastor José Wellington Bezerra da Costa, na Assembleia de Deus Ministério do Belém, em São Paulo.
O Movimento Brasil Laico apresentou representação por suspeita de propaganda eleitoral antecipada. A entidade questionou o uso de celebrações religiosas para promover candidaturas. A denúncia, por si só, não comprova irregularidade.
Os episódios colocam em debate os limites entre manifestação religiosa, apoio político e utilização de espaços de culto em campanhas eleitorais. A Constituição protege a liberdade de crença e estabelece que o Estado brasileiro não possui religião oficial.
