Flávio Bolsonaro tentou impedir julgamento de policial acusado de matar Ana Clara, de 5 anos

 

Senador do PL integrou gratuitamente a defesa de Bruno Dias Delaroli e recorreu ao STJ para evitar o júri popular. Cinco anos depois da morte da criança, família ainda espera julgamento.

A atuação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar Ana Clara Gomes Machado, de apenas cinco anos, voltou ao centro do debate nacional. O senador assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2024, buscando impedir que o PM fosse levado ao Tribunal do Júri. O pedido foi rejeitado, mas, mais de cinco anos após o crime, o julgamento ainda não aconteceu.

Ana Clara brincava na porta de casa quando foi atingida

Em 2 de fevereiro de 2021, Ana Clara brincava com o irmão, de dois anos, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói (RJ), quando foi atingida por disparos de fuzil durante uma operação policial. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, Bruno Dias Delaroli atirou contra uma área residencial mesmo depois de moradores alertarem sobre a presença de famílias.

A perícia encontrou cápsulas de fuzil compatíveis com a arma do policial, mas não identificou estojos de pistola que confirmassem a troca de tiros alegada pela defesa. Delaroli nega ter provocado a morte e afirma que reagia a criminosos armados.

Flávio atuou para tentar impedir o júri popular

Em novembro de 2021, a Justiça determinou que Delaroli fosse submetido ao Tribunal do Júri. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio em 2022. Dois anos depois, Flávio Bolsonaro passou a integrar a defesa gratuitamente, por intermédio do Instituto Família Policial, e participou de um recurso para reverter o encaminhamento ao júri.

Em abril de 2024, o STJ rejeitou o recurso por três votos a dois. A defesa apresentou novas contestações, também rejeitadas, e a decisão de levar o policial a julgamento tornou-se definitiva em agosto de 2025. A atuação de Flávio integrou as tentativas de impedir o júri, mas não há comprovação de que tenha causado os posteriores adiamentos das sessões, atribuídos a questões de agenda judicial.

Mãe cobra justiça após sucessivos adiamentos

O julgamento, inicialmente previsto para abril de 2026, foi transferido para outubro e depois remarcado para 5 de maio de 2027. Para Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, a demora representa mais de seis anos de espera por uma resposta judicial. Ela critica a participação de Flávio e afirma que as iniciativas da defesa prejudicaram a busca por justiça.

Durante o debate presidencial de 23 de outubro, Flávio declarou confiar na inocência do policial. Cristiane contestou sua versão e cobrou explicações sobre a defesa do acusado. Delaroli continua respondendo em liberdade e ainda não foi julgado pela morte da menina. A eventual condenação dependerá da decisão dos jurados.

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