Flávio Bolsonaro homenageou e manteve vínculos com nomes ligados a casos de assassinato

Senador do PL homenageou policiais investigados ou condenados, negociou emenda por meio de assessora e defendeu PM acusado de matar criança.

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece em episódios documentados envolvendo policiais e integrantes de organizações criminosas ligados a investigações de homicídio. As relações incluem homenagens, cargos no gabinete, emendas e atuação como advogado. Esses vínculos não demonstram participação de Flávio nos crimes.

Adriano da Nóbrega: homenagem na prisão

Em 2005, quando era deputado estadual, Flávio propôs e entregou a Medalha Tiradentes a Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-policial que estava preso, acusado de matar um guardador de carros. Adriano foi absolvido desse homicídio em novo julgamento, em 2007. O Ministério Público o apontou posteriormente como chefe de milícia e do Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel. Ele morreu em operação policial em 2020.

A então esposa de Adriano, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, e sua mãe, Raimunda Veras Magalhães, trabalharam no gabinete de Flávio. Flávio diz que o homenageou por sua atuação policial e nega conhecimento de crimes.

Ronald Paulo Alves: condenado no caso Marielle

Em 2004, Flávio apresentou moção de louvor ao então oficial da PM Ronald Paulo Alves Pereira. Em fevereiro de 2026, o Supremo Tribunal Federal condenou Ronald a 56 anos de prisão por sua participação no planejamento dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em 2018. A condenação foi mantida pelo STF.

Robson Calixto: emenda negociada pelo gabinete

Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, foi condenado a nove anos de prisão por integrar organização criminosa armada ligada aos mandantes do assassinato de Marielle. Reportagens revelaram mensagens entre ele e uma assessora de Flávio sobre uma emenda parlamentar de aproximadamente R$ 199 mil destinada a um projeto esportivo no Rio. A PF investiga possível desvio. Flávio afirma que o repasse seguiu a legislação e os critérios técnicos.

Bruno Delaroli: defesa em morte de criança

Flávio também atuou gratuitamente na defesa do policial Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público de matar Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, durante operação em Niterói, em 2021. Em 2024, o STJ rejeitou recurso assinado por Flávio para impedir que o policial fosse julgado pelo júri popular. Delaroli nega a acusação e ainda aguardava julgamento.

As conexões documentadas levantam questões sobre os critérios de homenagens, alianças e atuação política. Flávio não é investigado pelos assassinatos de Marielle e Anderson, e defender judicialmente alguém não implica concordar com a acusação ou ter participado do crime.

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