Documento da Polícia Federal contraria a versão de Flávio Bolsonaro sobre dinheiro “totalmente lícito” e revela transferência de empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal identificou uma transferência de R$ 12 milhões de uma empresa ligada às fraudes do Banco Master para a intermediária responsável pelo envio de recursos aos Estados Unidos para financiar Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A descoberta consta em documento de 15 de outubro, revelado pelo Intercept Brasil na sexta-feira (23).
O relatório coloca sob questionamento a declaração de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, de que os R$ 134 milhões negociados para a produção teriam origem privada e seriam totalmente lícitos.
Empresa ligada a Vorcaro transferiu o dinheiro
Segundo a investigação, a Super Empreendimentos, pertencente a Fabiano Zettel, cunhado e aliado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, depositou R$ 12 milhões na conta da Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.
A transferência ocorreu em 12 de fevereiro de 2025. No dia seguinte, a Entre enviou US$ 2 milhões ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, destinado ao financiamento do filme. Para a PF, a sequência das operações indica que a empresa de Zettel participou da estrutura original de financiamento.
Investigadores apontam suspeitas na origem dos recursos
A Polícia Federal identificou a Super Empreendimentos como parte do circuito financeiro investigado no caso Banco Master. A empresa teria participado de operações com empréstimos considerados fraudulentos, posteriormente negociados com fundos de investimento.
A investigação também registrou que a Entre Investimentos realizou sete remessas ao fundo norte-americano, totalizando US$ 12,3 milhões. O dinheiro passou por diferentes empresas antes de chegar ao exterior, despertando suspeitas sobre a finalidade das operações.
Flávio negociou financiamento milionário
Documentos e mensagens obtidos pelos investigadores apontam que Flávio Bolsonaro participou diretamente das negociações com Daniel Vorcaro para financiar a produção sobre seu pai.
O senador afirmou anteriormente que o dinheiro tinha origem lícita e havia sido integralmente destinado ao filme. Entretanto, a PF identificou divergências entre os valores remetidos aos Estados Unidos e os recursos registrados na produção brasileira.
Em setembro, os investigadores também realizaram buscas relacionadas ao filme, incluindo alvos ligados à produtora e ao deputado Mário Frias (PL-SP), por suspeitas de desvio de emendas parlamentares.
Investigação ainda não terminou
O inquérito busca esclarecer a origem do dinheiro, sua destinação e a participação dos envolvidos. A PF também solicitou cooperação internacional para rastrear as movimentações nos Estados Unidos.
Os documentos revelam indícios financeiros relevantes, mas ainda não representam uma condenação de Flávio Bolsonaro. A investigação deverá determinar se os recursos destinados ao filme foram provenientes de operações criminosas e quem tinha conhecimento de sua origem.
