Homenagens a policiais acusados de homicídio, familiares de miliciano empregados no gabinete e apoio a político investigado por vínculos com o tráfico marcam a trajetória do senador do PL.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) possui um histórico documentado de relações políticas e profissionais com pessoas investigadas por envolvimento com milícias e organizações criminosas no Rio de Janeiro. Os episódios incluem homenagens, nomeações em seu gabinete e apoio eleitoral a um político investigado por vínculos com o Comando Vermelho.
Adriano da Nóbrega: homenagem dentro da prisão
Em 2005, Flávio Bolsonaro, então deputado estadual, entregou a Medalha Tiradentes a Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Bope que estava preso, acusado de homicídio. Adriano foi posteriormente apontado pelo Ministério Público como chefe de uma milícia e integrante do Escritório do Crime, grupo associado a assassinatos por encomenda.
O ex-policial morreu durante uma operação na Bahia, em 2020. Flávio afirmou que o conheceu durante treinamentos de tiro e que sua homenagem reconhecia serviços prestados à segurança pública.
Familiares de miliciano receberam salários do gabinete
Raimunda Veras Magalhães, mãe de Adriano, e Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, sua ex-esposa, foram contratadas pelo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Segundo investigação do Ministério Público, as duas teriam participado de um esquema de devolução de salários, conhecido como rachadinha, envolvendo o ex-assessor Fabrício Queiroz. A investigação criminal foi encerrada após a anulação de provas, enquanto uma ação civil relacionada aos antigos assessores teve novas medidas de apuração em 2026.
Aliado investigado por ligações com milícias e tráfico
Em fevereiro de 2026, Flávio anunciou apoio à pré-candidatura de Márcio Canella (União Brasil-RJ) ao Senado. A mãe do candidato presidencial, Rogéria Bolsonaro (PL), chegou a ser indicada como suplente de Canella.
Em outubro, Canella foi preso durante uma investigação sobre lavagem de dinheiro. O Ministério Público Eleitoral apontou indícios de nomeações de lideranças milicianas para cargos públicos e possíveis acordos com o Comando Vermelho durante operações de retirada de barricadas em Belford Roxo.
O órgão pediu ao Tribunal Superior Eleitoral que impedisse sua candidatura a deputado estadual. As acusações ainda dependem de julgamento definitivo.
Vínculos políticos não comprovam participação em crimes
O histórico documenta relações com personagens investigados ou apontados como integrantes de organizações criminosas, mas não comprova que Flávio Bolsonaro tenha participado de assassinatos, tráfico de drogas ou atividades de milícias.
O senador nega envolvimento criminoso e afirma ser vítima de ataques políticos. Em junho de 2026, o TSE determinou a remoção de publicações que o associavam diretamente a facções criminosas sem provas suficientes.
A distinção é fundamental: as homenagens, contratações e alianças são fatos documentados; a responsabilidade criminal pessoal de Flávio exigiria provas específicas.
