Estudantes, mulheres e apoiadores de Lula denunciam violência durante a campanha presidencial. Casos envolvem agressões físicas, ameaças de incêndio e intimidação com armas.
A campanha presidencial de 2026 registra episódios de violência envolvendo apoiadores de Jair e Flávio Bolsonaro (PL). Em diferentes estados, manifestações de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram acompanhadas de agressões, perseguições e ameaças. Parte das ocorrências já motivou investigações policiais.
Mulher agredida por bolsonarista em São Paulo
Em 18 de outubro, o empresário Diogo Freire Estevão foi filmado dando dois socos em uma mulher nas proximidades da estação Butantã do metrô, em São Paulo. Segundo a ocorrência, ela foi hostilizada por usar uma camiseta vermelha. O agressor havia participado de uma manifestação em apoio a Flávio Bolsonaro.
Diogo admitiu os golpes, mas alegou legítima defesa. Ele também era alvo de uma medida protetiva concedida a outra mulher, que o havia denunciado por ameaças de morte.
Estudante ferido durante manifestação do PL
No dia 19, um ato de militantes favoráveis a Flávio Bolsonaro na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, terminou em confronto. Um estudante de jornalismo foi agredido com socos e ficou ferido na boca. A atividade contou com a presença do deputado federal General Girão (PL-RN).
A universidade repudiou a violência e informou que o evento ocorreu sem autorização institucional, provocando interrupção de aulas, ameaças e danos ao patrimônio. Os responsáveis pelas agressões deverão ser identificados na apuração.
Ameaças de incêndio contra estudantes
Na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, mensagens compartilhadas em um grupo chamado "Juntos com Bolsonaro" ameaçavam incendiar a instituição e agredir estudantes favoráveis a Lula.
A reitoria encaminhou as denúncias à Polícia Federal e reforçou a segurança. Dois suspeitos foram indiciados, segundo reportagem da Folha de S.Paulo. O grupo não possui vínculo oficial demonstrado com a campanha de Flávio Bolsonaro.
Intimidação dentro de universidade em Alagoas
Em 8 de outubro, cerca de oito homens chegaram ao campus da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em Arapiraca, utilizando veículos com imagens de Flávio Bolsonaro.
Segundo a Associação dos Docentes, o grupo ameaçou retirar cartazes políticos e intimidou uma professora. A entidade repudiou o episódio e cobrou investigação.
Casal perseguido e deputado armado
Na Avenida Paulista, em 18 de outubro, a designer Vitória Viana e o vendedor Matheus Fernando foram perseguidos e hostilizados por bolsonaristas por usarem adesivos de Lula. A equipe do JOTA registrou o episódio e também sofreu tentativas de impedir suas filmagens.
Em outro caso, ocorrido em setembro no Rio de Janeiro, o deputado Alexandre Knoploch (PL-RJ) exibiu uma arma e utilizou spray de pimenta durante confronto com militantes do PSOL. O parlamentar afirma ter reagido a provocações.
Violência eleitoral preocupa autoridades
Levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global identificou 134 episódios de violência política no primeiro turno de 2026, incluindo dois assassinatos e 11 atentados. Esses números abrangem diferentes grupos políticos e não comprovam que as mortes tenham sido praticadas por bolsonaristas.
Os episódios documentados mostram como divergências eleitorais têm sido acompanhadas de ameaças e agressões. A identificação dos responsáveis e a punição de eventuais crimes dependem das investigações, mas o direito de manifestação política deve ser garantido a todos os brasileiros.
