Jair Bolsonaro se posicionou contra a cassação de Talvane Albuquerque, condenado pela morte da deputada Ceci Cunha e de três familiares. Caso voltou a repercutir nas eleições de 2026.
Uma declaração de Jair Bolsonaro (PL) voltou a repercutir nas redes sociais após o resgate de um discurso de 1999 em que o então deputado federal se posicionou contra a cassação de Talvane Albuquerque (PTN-AL), investigado pelo assassinato da deputada Ceci Cunha (PSDB-AL) e de três familiares.
O caso ganhou atenção novamente após o deputado André Janones (Rede-MG) incentivar pesquisas sobre a relação entre Bolsonaro e Talvane. Anos depois do discurso, o ex-parlamentar alagoano foi condenado como mandante dos quatro assassinatos.
Deputada foi assassinada para que suplente assumisse seu mandato
Em 16 de dezembro de 1998, Ceci Cunha foi assassinada na Chacina da Gruta, em Maceió. Também morreram seu marido, Juvenal Cunha, e os familiares Iran Carlos Maranhão Pureza e Ítala Maranhão Pureza.
Segundo a investigação, Talvane planejou os assassinatos porque era o primeiro suplente da coligação de Ceci e pretendia assumir sua vaga na Câmara dos Deputados. O parlamentar chegou a ocupar o mandato antes de ser cassado.
Bolsonaro discursou contra a cassação
Em 7 de abril de 1999, a Câmara analisou a perda do mandato de Talvane, que já era investigado pelo crime. Jair Bolsonaro, então filiado ao PPB, discursou contra a cassação, argumentando que o colega poderia ser inocentado posteriormente.
Ao questionar os contatos de Talvane com um pistoleiro investigado, Bolsonaro perguntou: "Mas quem aqui nunca teve contato ou conversou com um marginal?". Também afirmou que qualquer deputado poderia estar naquela situação.
A Câmara aprovou a cassação por 427 votos favoráveis, 29 contrários, 21 abstenções e um voto em branco. Como a votação foi secreta, não existe registro nominal que permita confirmar o voto de Bolsonaro, embora sua oposição pública à cassação esteja documentada.
Condenação ultrapassou 100 anos de prisão
Em janeiro de 2012, a Justiça Federal condenou Talvane Albuquerque a 103 anos e quatro meses de prisão, reconhecendo sua responsabilidade como mandante da chacina. Outros quatro homens também foram condenados pela execução dos crimes.
Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça reduziu a pena de Talvane para 92 anos, nove meses e 27 dias, mantendo a condenação. No mesmo ano, ele recebeu autorização para cumprir a pena em prisão domiciliar, sob monitoramento eletrônico.
Caso retorna ao debate eleitoral
O episódio voltou a circular nas redes sociais às vésperas do segundo turno presidencial de 2026, disputado por Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente.
A manifestação de Jair Bolsonaro ocorreu antes da condenação criminal de Talvane. Na época, ele afirmou não estar defendendo os crimes atribuídos ao parlamentar, mas questionando a perda de seu mandato.
O registro histórico mostra que Bolsonaro se posicionou publicamente contra a cassação de um deputado posteriormente condenado por ordenar quatro assassinatos, entre eles o de uma colega de Parlamento.
