Senador do PL atuou gratuitamente na defesa de Bruno Dias Delaroli, acusado de matar a criança de cinco anos. Após recursos e adiamentos, julgamento ficou para 2027.
Ana Clara Gomes Machado tinha apenas cinco anos quando foi atingida por disparos de fuzil enquanto brincava com o irmão de dois anos na porta de casa, em Niterói (RJ), no dia 2 de fevereiro de 2021. Hoje, teria dez anos. Sua morte continua sem julgamento, enquanto a família luta por justiça.
Violência do disparo e investigação
Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, o policial militar Bruno Dias Delaroli disparou um fuzil de calibre 7,62 mm em direção a uma área residencial, mesmo após moradores alertarem sobre a presença de famílias. Ana Clara foi socorrida pela mãe, Cristiane Gomes da Silva, mas morreu no hospital.
A potência desse tipo de munição torna especialmente grave seu uso em áreas habitadas. O ferimento causado pelo disparo foi fatal. Entretanto, os documentos consultados não permitem confirmar o tamanho, em centímetros, do orifício provocado no corpo da menina. A perícia encontrou vestígios de munição compatíveis com o fuzil policial e não identificou cápsulas que comprovassem a troca de tiros alegada pela defesa.
Flávio Bolsonaro tentou impedir o julgamento
Em 2024, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a integrar gratuitamente a defesa de Delaroli. O senador assinou recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que levaria o policial ao Tribunal do Júri. O pedido foi rejeitado por três votos a dois.
A defesa continuou recorrendo, mas os tribunais mantiveram a determinação de julgamento popular. As medidas judiciais prolongaram a discussão sobre o encaminhamento do processo. Contudo, não foi demonstrado que Flávio tenha determinado os adiamentos das sessões de 2026, atribuídos a questões de agenda judicial.
Família espera justiça há mais de cinco anos
O policial, denunciado por homicídio qualificado com dolo eventual, responde em liberdade desde novembro de 2021. O júri foi remarcado para 5 de maio de 2027, mais de seis anos depois da morte de Ana Clara.
Cristiane contesta a versão de confronto com criminosos. Durante o debate presidencial da Globo, em 23 de outubro, Flávio afirmou acreditar que Delaroli não realizou o disparo fatal, embora a acusação do Ministério Público aponte o policial como responsável.
A mobilização por justiça ganhou força nas redes sociais e em manifestações de movimentos populares. Para a família, a prioridade permanece a realização do júri e o esclarecimento definitivo da morte de Ana Clara.