Ministério Público Eleitoral pede ao TSE que barre deputado eleito pelo União Brasil, investigado por suspeitas de envolvimento com organizações criminosas.
A Procuradoria-Geral Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que negue o registro da candidatura de Márcio Canella (União Brasil-RJ), deputado estadual eleito em outubro. O parecer, apresentado na sexta-feira (23), aponta indícios de ligação do político com milícias, o Comando Vermelho e um esquema de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis.
Ex-prefeito de Belford Roxo, Canella foi preso pela Polícia Federal em 15 de outubro, durante a Operação Unha e Carne. Segundo o Ministério Público, ele teria nomeado lideranças de milícias para secretarias municipais e atuado como articulador político de um grupo criminoso. A investigação também aponta possíveis acordos com o Comando Vermelho durante operações de retirada de barricadas.
A ligação de Canella com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é pública. Em fevereiro, o senador anunciou apoio à sua pré-candidatura ao Senado. Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, chegou a ser indicada como suplente. Após uma prisão anterior, em julho, quando a PF encontrou um fuzil em seu carro, Canella desistiu da disputa ao Senado e concorreu à Assembleia Legislativa.
O Ministério Público quer reverter a decisão do Tribunal Regional Eleitoral que autorizou sua candidatura. O caso ainda depende de julgamento no TSE. As suspeitas contra Canella não equivalem a condenação, e o apoio político de Flávio Bolsonaro não comprova participação do senador nos crimes investigados.
