Abandono escolar cresceu no governo Bolsonaro e caiu ao menor índice histórico com Lula


Dados do Inep mostram que o abandono no ensino médio chegou a 5,7% em 2022, último ano de Bolsonaro, e recuou para 2,2% em 2025. Programas de permanência escolar buscam manter jovens estudando.

O abandono escolar no ensino médio brasileiro aumentou durante os últimos anos do governo Jair Bolsonaro (PL) e apresentou redução significativa na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o índice passou de 4,7% em 2019 para 5,7% em 2022. Em 2025, já no governo Lula, caiu para 2,2%, o menor percentual da série histórica.

Pandemia agravou dificuldades dos estudantes

Durante o governo Bolsonaro, a pandemia de Covid-19 ampliou as dificuldades de acesso à educação. A suspensão das aulas presenciais, a falta de internet e equipamentos e a perda de renda das famílias afastaram muitos estudantes das atividades escolares.

Em 2020, a taxa oficial de abandono foi de 2,3%, mas esse número exige cuidado: mudanças nas regras de avaliação e progressão escolar durante a pandemia dificultam comparações diretas. Com o retorno gradual das aulas presenciais, o índice subiu para 5% em 2021 e 5,7% em 2022.

Abandono diminuiu durante o governo Lula

A partir de 2023, os indicadores começaram a melhorar. O abandono no ensino médio caiu para 3,3% naquele ano, chegou a 3,2% em 2024 e atingiu 2,2% em 2025. No mesmo período, a taxa de aprovação aumentou, alcançando 94,8% dos estudantes em 2025.

A recuperação acompanha o retorno à normalidade após a pandemia, a atuação das redes estaduais e municipais e novas políticas de permanência escolar. Os resultados representam uma redução importante do número de jovens que interrompem os estudos durante o ano letivo.

Pé-de-Meia busca combater a saída precoce da escola

Uma das principais iniciativas do governo Lula é o Pé-de-Meia, criado em 2024. O programa oferece incentivos financeiros a estudantes de baixa renda matriculados no ensino médio público, com pagamentos associados à matrícula, frequência e conclusão dos estudos.

O benefício busca diminuir a necessidade de abandonar a escola para trabalhar ou ajudar nas despesas familiares. Embora tenha esse objetivo, a queda do abandono começou em 2023, antes de sua criação, e não pode ser atribuída exclusivamente ao programa.

Permanência escolar ainda exige investimentos

Apesar da melhora, milhares de adolescentes continuam enfrentando obstáculos para concluir o ensino médio. Pobreza, necessidade de trabalhar, dificuldades de aprendizagem, gravidez na adolescência e problemas de transporte estão entre os fatores associados ao abandono.

A comparação entre os governos mostra uma piora no fim da gestão Bolsonaro e uma recuperação durante a administração Lula. Parte dessa diferença está relacionada aos efeitos da pandemia. Garantir que os estudantes permaneçam na escola continua dependendo de financiamento, assistência às famílias e políticas educacionais permanentes.

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